De burkas e burkinis

De burkas e burkinis

Vem isto a propósito de certas praias e cidades francesas terem proibido o uso de burkinis e burkas, como resultado directo dos atentados perpretados pelo estado islâmico. Dizem eles que o seu uso é ostensivamente um simbolo do extremismo islâmico, da escravização da mulher e para evitar problemas com a restante população.

Desde há imenso tempo que se sabe que o uso de burkas pelas mulheres muçulmanas nada mais é do que uma expressão de radicalismo medieval. A burka não é um símbolo religioso, é uma esmagadora forma de opressão da mulher, um dos expoentes máximos do machismo.

Historicamente a burka tem a sua origem muito anterior ao aparecimento do Islão. Era usada tanto por homens como mulheres como proteção contra os fortes ventos que volta e meia assolavam os desertos e contra a areia que carregavam. Era também usada para esconder as mulheres em idade de procriar quando eram atacados por outro grupo. Como existia a forte possibilidade de as raptarem, o seu uso tornava difícil a sua localização e diferenciação de jovens e idosas, no meio do tumulto da batalha.

O Corão impõe aos homens e mulheres que se comportem e vistam em público de forma humilde. O que tem sido muito mal interpretado por certos sectores radicais, como os Talibãs no Afeganistão.

O seu uso no Afeganistão foi introduzido por Habibullah (reinado entre 1901 e 1919), que impôs o seu uso às mulheres do seu harém, para evitar que a beleza delas tentasse outros homens. A burka passou então a ser uma vestimenta conotada com a classe alta, que deste modo não era vista pelas classes inferiores, isolando-se assim destas. Nos anos 50 começou a generalizar-se pela população, já que era vista como um símbolo positivo de status social.

E como se pode ver pelas fotos, o seu uso não foi sempre obrigatório por motivos religiosos. (http://www.theuniplanet.com/2016/02/sabia-que-as-mulheres-arabes-nao-usavam.html?m=1)

Assim a que conclusões chegamos? Que a burka não é uma farda clerical, a sua função original era de proteção de elementos e de rapto, tendo de seguida sido transposta para a dominação masculina da mulher, tipo és minha e só quem te vê sou eu.

A burka e a sua versão de praia, o burkini são assim símbolos da opressão da mulher, tal como a mutilação genital feminina, os assassinatos de honra e os casamentos forçados. É uma imposição fundamentalista à qual as mulheres não têm escolha.

Não tem defesa. Tal como a lapidação, é indefensável. Ninguém que lute pelos direitos das mulheres pode pensar sequer em defender tal uso.

E é com espanto que vejo activistas e organizações não governamentais a defenderem o uso de um instrumento de opressão machista em nome de uma suposta “liberdade”. Quando não tem nada a ver com liberdade, tem a ver com a posse da mulher, sentimento esse que é combatido por essas mesmas organizações quando existe violência física contra a mulher.

 

Não são poucos, infelizmente, os casos em que esse sentimento provoca a morte de tantas e tantas mulheres, mesmo cá em Portugal. E no entanto falam que “há liberdade para se vestir o que se quer”. No caso daquelas infelizes muçulmanas que defendem o seu uso em nome dessa liberdade, convém lembrar que existem também mulheres que consideram que a violência no namoro e no casamento é normal, que defendem o uso da mutilação genital feminina, os matrimónios forçados ou os assassinatos por honra comuns em países islâmicos, como a Turquia. Países em que a mulher nem direito à educação tem.

 

 

A sua defesa por parte de mulheres nada mais é que o resultado de uma lavagem cerebral feita socialmente. É uso comum, logo está certo. Também existe quem defende a violência no casamento, tipo “ele bate-me porque gosta de mim”. Ou a mutilação genital feminina e os casamentos forçados pois são uma “tradição”.

 

A sua defesa por parte de ongs e activistas que se dizem feministas, em nome de uma suposta liberdade não é de todo aceitável. Não se pode defender um dos mais gritantes símbolos da opressão da mulher, em nome de liberdade nenhuma. Não é islâmofobia, pois a burka não tem a ver com o islão, mas com uma interpretação fundamentalista deturpada do que diz o Corão.

 

O uso da Burka também tem os seus riscos: devido à falta de luz solar, pode provocar uma deficiência de vitamina D, o que pode provocar a osteoporose e o raquitismo.

 

Sou a favor da proibição da burka e do burkini. Não por serem símbolos religiosos (que já se viu que não são), mas por serem símbolos da opressão da mulher. E qualquer pessoa que se diga feminista não tem volta a dar senão condenar o seu uso.

 

Em Roma sê romano. Desde criança que ouço isto. Muita gente quer vir para a Europa, em busca de melhores condições de vida, em busca de segurança, em busca de qualquer coisa. Nenhum problema com isso. Mas, se vêm para cá, devem aceitar o modo de vida, costumes e valores.

 

Se formos para países árabes, como a Arábia Saudita, por exemplo, temos de adoptar algumas práticas usuais lá. O mesmo devem fazer aqueles que vêm para a Europa.

Eduarda Alice Santos

Trans woman, activist, writer and translator from Portugal (that's in Europe)

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